
🕒 Tempo estimado de leitura: 3 minutos
Vamos ser diretos:
Pokémon tem medo de se perder.
E não é o jogador — é a Game Freak.
Desde que a franquia decidiu flertar com mapas maiores, ela age como quem entra num oceano com boia inflável:
avança, entra em pânico, simplifica tudo e chama isso de “acessibilidade”.
A pergunta que fica é simples e incômoda:
👉 Pokémon tem medo de mapas complexos porque quer proteger o jogador…
ou porque não confia no próprio design?
🗺️ Complexidade nunca foi o problema — confusão sim
Mapas complexos não são sinônimo de mapas ruins.
O problema é quando complexidade vira:
- repetição
- rotas vazias
- falta de identidade
- exploração sem recompensa
E Pokémon sofre exatamente disso.
Regiões como Pokémon Ruby and Sapphire (Hoenn) ficaram marcadas não por serem grandes, mas por:
- água usada como enchimento
- navegação pouco intuitiva
- pouco senso de descoberta
O trauma ficou.
A lição, não.
🌴 Quando Pokémon acerta… ele recua
Pokémon Sun and Moon (Alola) foi um passo certo:
- ilhas distintas
- identidade regional forte
- progressão clara
Mas aí veio o pensamento típico da franquia:
“Funcionou… mas vamos simplificar mais um pouco.”
Depois, Pokémon Scarlet and Violet (Paldea):
- mapa grande
- liberdade total
- zero estrutura
Resultado?
- exploração sem tensão
- sensação de mundo aberto… vazio
- liberdade sem propósito
Pokémon não falhou por tentar algo grande.
Falhou por não saber o que fazer com o espaço.
🧠 O medo real: o jogador perceber o vazio
Mapas complexos exigem:
- level design inteligente
- ritmo
- decisões difíceis
- áreas opcionais com risco
Isso expõe problemas que Pokémon evita há anos:
- combate pouco profundo
- IA fraca
- progressão previsível
Simplificar o mapa é uma forma de esconder isso.
Menos caminhos = menos perguntas.
Menos perguntas = menos cobrança.
🌊 Gen 10 é o teste final
Com Pokémon Gen 10, inspirado no Sudeste Asiático, a desculpa acabou.
Um arquipélago pede:
- mapas não lineares
- rotas alternativas
- regiões isoladas
- Pokémon endêmicos
Se tudo virar:
“ilhas bonitas ligadas por fast travel”
então Pokémon não tem medo de mapas complexos.
Tem medo de crescer.
🎮 Outras franquias já superaram esse medo
Jogos como:
- Zelda
- Elden Ring
- Xenoblade
- Monster Hunter
provaram que o jogador:
- gosta de se perder
- gosta de aprender o mapa
- gosta de dominar o espaço
Pokémon insiste em tratar o jogador como alguém que precisa ser guiado o tempo todo.
E isso é estranho…
pra uma franquia sobre aventura.
⚖️ Conclusão: simplicidade não é virtude quando vira muleta
Pokémon não precisa virar um simulador geográfico.
Mas precisa parar de fingir que mapas complexos são um risco.
Porque o risco real é outro:
continuar fazendo mundos grandes, bonitos…
e completamente esquecíveis.
A pergunta que fica para a Gen 10 é simples:
👉 Pokémon vai confiar no jogador…
ou continuar com medo do próprio mapa?








