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A polêmica da semana não veio de loot box, microtransação ou passe de batalha.
Veio de tecido extra.
A arte promocional de um DLC de Dispatch apareceu alterada na Nintendo eShop dos EUA.
Mais roupa. Menos pele. Nenhum aviso.
E aí fica a pergunta que ninguém quer responder em voz alta:
isso é curadoria… ou censura?
🎨 O que mudou, exatamente?

O DLC Art & Comics Pack traz uma arte leve: personagens relaxando à beira da piscina.
Na versão internacional, tudo normal.
Na versão dos EUA no Nintendo eShop?
- Maiôs “esticados”
- Decotes fechados
- Recortes removidos
- Um personagem masculino com menos pele visível também
Nada explícito.
Nada sexualizado.
Mas claramente modificado.
🤐 Censura que não diz seu nome
Não houve comunicado oficial.
Não houve nota explicando critérios.
Só a mudança — silenciosa, estética, unilateral.
Isso é o que incomoda mais.
Porque quando a plataforma:
- altera arte autoral
- sem contextualizar
- sem avisar o consumidor
ela deixa de distribuir e passa a editar.
🧩 “Mas é a Nintendo, sempre foi assim”
Sim — e é aí que mora o problema.
A Nintendo cultiva há décadas uma imagem:
- familiar
- segura
- “clean”
Nada de novo.
O que mudou foi o contexto.
Hoje, o Nintendo Switch e o Nintendo Switch 2 disputam espaço com:
E Dispatch não é um jogo infantil.
É um indie narrativo, adulto, premiado.
O público sabe disso.
A plataforma também.
🧠 O paradoxo moderno
A mesma loja que vende:
- violência estilizada
- armas futuristas
- guerras e catástrofes
fica desconfortável com:
- um recorte em um maiô?
O debate não é “mostrar pele”.
É coerência editorial.
Se a loja aceita o jogo,
por que não aceita a arte que o representa?
🧾 O detalhe que muda tudo: é um artbook
Esse DLC não é gameplay.
Não é cutscene.
Não é conteúdo interativo.
É arte.
É contexto criativo.
É registro estético.
Censurar isso não “protege” ninguém.
Só reformula a obra sem o autor pedir.
🎮 Indie hoje, censura amanhã?
Dispatch é só o caso da vez.
A pergunta maior é:
onde essa régua para?
Hoje é um maiô.
Amanhã é um tema.
Depois, um enquadramento.
Depois, um conceito “sensível”.
Quando a regra não é clara,
ela vira precedente.
⚠️ Conclusão: não é sobre moral — é sobre controle
A Nintendo tem todo o direito de definir sua identidade.
Mas quando isso envolve alterar obras alheias sem transparência, o debate muda de nível.
Não é sobre ser “careta” ou “liberal”.
É sobre respeitar o que está sendo vendido.
Dispatch continua ótimo.
O DLC continua valioso.
Mas a decisão deixa um recado estranho:
Na eShop, a arte passa pelo filtro da casa — mesmo quando ninguém pediu.
E isso, sim, merece ser discutido.








