Larian respondeu à IA — e expôs a hipocrisia da indústria

🕒 Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Quando o CEO da Larian Studios, Swen Vincke, falou abertamente sobre o uso de IA generativa no estúdio, muita gente ouviu só metade da frase — e surtou com a metade errada.

O resultado?
Uma reação emocional que diz mais sobre o medo da indústria do que sobre a prática da Larian.


🤖 O que a Larian realmente disse (e o que fingiram ouvir)

Vincke foi direto:

  • IA é usada para explorar ideias
  • gerar textos provisórios
  • testar conceitos iniciais
  • organizar apresentações e referências

E deixou claro:

👉 nenhum conteúdo final de jogos da Larian é feito por IA

Nada de roteiro.
Nada de arte final.
Nada de atuação.
Nada de substituir pessoas.

Mesmo assim, a reação foi imediata:
“Estão usando IA pra criar arte!”
“Estão substituindo artistas!”
“É o começo do fim!”

Não era.
Nunca foi.


🎭 A palavra proibida: “ferramenta”

O que incomoda muita gente não é a IA.
É a ideia de que ela pode ser só uma ferramenta.

A Larian descreveu IA do mesmo jeito que descreveu:

  • Google
  • livros de arte
  • referências visuais
  • brainstorms rápidos

Só que agora a ferramenta tem um nome assustador.

E isso expôs um tabu:
👉 muita gente prefere romantizar o processo criativo do que entendê-lo.


🧠 O ponto central que a Larian acertou em cheio

A Larian tem hoje:

  • mais de 70 artistas
  • dezenas de roteiristas
  • salas de escrita
  • atores reais
  • performances capturadas
  • tradução humana

Ou seja:
a equipe cresceu, não encolheu.

Vincke foi claro:

“Contratamos pessoas pelo talento, não pelo que uma máquina sugere.”

IA, para eles, serve para tirar o peso do trabalho mecânico, não para matar a autoria.

Isso é o oposto do terror corporativo que o discurso anti-IA costuma imaginar.


🧩 O que separa a Larian do resto da indústria

A diferença não é tecnológica.
É ética.

A Larian usa IA para:

  • acelerar ideação
  • liberar tempo criativo
  • aumentar complexidade narrativa

Enquanto outras empresas sonham em:

  • cortar custos
  • reduzir equipes
  • gerar conteúdo em massa

👉 A ferramenta é a mesma.
A intenção não.


🎮 Por que isso importa para o próximo Divinity

O novo Divinity não terá nenhum conteúdo gerado por IA.

Isso não é marketing.
É posicionamento.

A Larian está dizendo:
“Vamos usar tecnologia para criar mais, não para criar menos gente.”

Num mercado viciado em atalhos, isso é quase subversivo.


🧨 Conclusão: o medo não é da IA — é de perder o humano

A reação exagerada aos comentários de Vincke mostra algo maior:

A indústria não sabe mais discutir tecnologia sem entrar em pânico.

A Larian fez o impensável:
falou de IA sem vender mentira e sem demonizar a ferramenta.

E lembrou algo simples:
👉 jogo bom ainda nasce de gente boa.

IA pode ajudar.
IA pode acelerar.
IA pode limpar o caminho.

Mas quem decide o destino da história —
ainda é humano.

E enquanto a Larian continuar lembrando disso,
o resto da indústria vai continuar… atrasada.

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