
🕒 Tempo estimado de leitura: 3 minutos
Toda geração tem um gênero que vira bode expiatório.
Hoje, esse gênero é o soulslike.
Sempre que surge um novo anúncio, a reação é previsível:
“Mais um?”
“Já deu.”
“Tudo igual.”
Mas talvez o problema não seja o soulslike.
Talvez seja a preguiça criativa ao redor dele.
⚔️ O soulslike não cansou — ele foi diluído
Quando Dark Souls surgiu, não era só sobre dificuldade.
Era sobre:
- mundo hostil
- silêncio narrativo
- descoberta orgânica
- respeito à inteligência do jogador
Com o tempo, muita gente entendeu só uma parte:
👉 “Tem que ser difícil.”
E esqueceu o resto.
Resultado?
Jogos que copiam:
- rolagem
- stamina
- morte punitiva
Mas não copiam intenção, atmosfera nem design inteligente.
🧠 Dificuldade sem propósito vira ruído
Existe uma diferença enorme entre:
- desafio que ensina
- punição que frustra
Os melhores soulslikes sabem disso.
Os piores usam dificuldade como muleta de identidade.
Quando o jogador morre e pensa
“ok, eu errei”, o gênero funciona.
Quando ele morre e pensa
“isso é mal feito”, o encanto acaba.
🧬 O problema não é repetição — é falta de variação
Soulslike virou sinônimo de:
- fantasia medieval
- espadas
- ruínas cinzentas
Mas nada no DNA do gênero exige isso.
Dá pra ter soulslike:
- sci-fi
- cooperativo
- narrativo
- focado em escolhas
- com outro ritmo
- com outra simbologia
Quando alguém ousa sair da fórmula, o gênero respira.
Quando não ousa, ele apodrece.
🤝 Coop, narrativa e acessibilidade ainda são territórios pouco explorados
Dois tabus ainda rondam o soulslike:
- Coop de verdade
- Narrativa mais clara sem perder mistério
Sempre que um jogo tenta algo diferente, parte do público grita:
“Isso não é souls!”
Mas talvez seja exatamente isso que o gênero precisa.
Não menos soulslike.
Mais possibilidades soulslike.
🔄 Saturação não é o fim — é o teste final
Todo gênero saturado passa por três fases:
- explosão
- cópia em massa
- refinamento ou morte
O soulslike está claramente na fase 3.
Agora só sobrevivem:
- os que entendem o espírito
- os que arriscam
- os que respeitam o jogador
O resto vira barulho de fundo no Steam.
🧩 Conclusão — o gênero não morreu, a criatividade sim
O soulslike não cansou.
Ele só está sendo usado no automático.
Enquanto houver jogos que tratem o jogador como alguém inteligente, curioso e paciente, o gênero continua vivo.
O problema não é rolar, morrer ou tentar de novo.
O problema é não ter mais nada além disso.








