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Essa dói, mas precisa ser dita:
os Pokémon evoluem. A franquia, nem tanto.
Enquanto um Magikarp vira Gyarados,
o jogo ainda tropeça nos mesmos problemas de 15, 20 anos atrás.
E não — isso não é nostalgia.
É estagnação disfarçada de tradição.
🧬 Evolução no nome, conservadorismo no design
Desde Pokémon Red and Blue, Pokémon vende a ideia de progresso:
- níveis
- formas novas
- mudanças visuais
- power spikes claros
Mas fora das criaturas…
o sistema central quase não muda.
A base ainda é:
- combate por turnos simples
- IA previsível
- rotas que fingem ser exploração
- escolhas que raramente importam
A evolução ficou cosmética, não estrutural.
🔁 A fórmula funciona — então pra que mexer?
Aqui está o nó psicológico da Game Freak:
“Se vende milhões assim, por que arriscar?”
Pokémon virou uma franquia de conforto.
E conforto é o inimigo natural da inovação.
Enquanto séries como Zelda ousaram quebrar tudo, Pokémon preferiu:
- ajustes tímidos
- mecânicas descartáveis
- gimmicks que somem na geração seguinte
Mega Evolução?
Z-Moves?
Dynamax?
Tudo passa.
Nada fica.
🌍 Mundo aberto sem evolução interna
Quando chegou Pokémon Scarlet and Violet, parecia que a virada tinha chegado.
Mapa grande? Sim.
Liberdade? Sim.
Mas faltou o principal:
- densidade
- consequência
- descoberta real
Virou um mundo aberto onde:
- ginásios não reagem a você
- cidades são cenários
- explorar raramente muda algo
É evolução estética sem evolução sistêmica.
🧠 O medo de amadurecer com o público
Pokémon sofre de um dilema curioso:
- o público envelheceu
- a franquia finge que não
Ela tenta agradar:
- crianças novas
- adultos nostálgicos
- competitivos hardcore
Resultado?
Um jogo que não aprofunda nada para não afastar ninguém.
Mas isso cobra um preço:
Pokémon não cresce emocionalmente, narrativamente, nem mecanicamente.
🧪 O contraste é cruel
Compare com outras franquias:
- Monster Hunter aprofundou sistemas
- Zelda reinventou exploração
- Final Fantasy mudou até de gênero
Pokémon?
- mantém o mesmo loop
- evita fricção
- evita complexidade
- evita risco
E ironicamente, isso torna a experiência menos memorável.
🔮 Gen 10 é o ponto sem retorno
Com Pokémon Gen 10, não dá mais pra fingir.
Se a franquia:
- continuar com mapas simplificados
- combates rasos
- escolhas sem impacto
então a pergunta muda de tom:
👉 Pokémon quer evoluir…
ou só continuar “evoluindo” Pokémon?
⚠️ Conclusão: evolução não é adicionar camadas — é mudar o núcleo
Pokémon não precisa abandonar sua essência.
Mas precisa parar de tratá-la como uma relíquia intocável.
Porque no ritmo atual:
- os monstros continuam evoluindo
- o mundo muda
- o jogador amadurece
E Pokémon fica parado, olhando.
A ironia final?
Uma franquia sobre evolução…
com medo de evoluir.








